A metáfora do brinquedo
Eu ganhei um brinquedo no sexto ano, uma linda boneca com quem eu converso muito, brinco bastante, dou risada, conto meus segredos e sonhos. Eu amei ter ganhado uma boneca, por que eu nunca tive uma, e agora somos melhores amigas, esse é o meu brinquedo preferido.
Os anos se passaram e nada mudou, sempre que eu enjoava e deixava de brincar, logo pedia desculpas para ela e voltáva-mos a brincar. Até que eu fui embora, acabei deixando-a para trás, mas nunca esqueci dela. Quando voltei, parecia não ser a mesma boneca, tinha brincado com suas novas meninas, eu tentei relembrar do quanto éramos próximas, mas ela parecia não se lembrar tanto assim.
Tentei fingir que nada aconteceu, mas algo de estranho tinha ali. Logo nos mudamos para um quarto de brinquedos maior, ela ficou em um canto e eu em outro, com um espaço maior, tinha novas meninas querendo brincar com minha boneca, eu já não me importava de dividi-la, sabia que ela estava feliz.
Os anos se passaram e nos distanciamos, mas sempre queria saber se ela estava bem, e ela sempre perguntava como eu estava, mantínhamos contato, mas com longos intervalos.
Até que teve um dia que eu a magoei, joguei no chão, para debaixo da cama, ela ficou suja e rasgou. Um dia eu me arrependi, muito, chorei, pedi perdão, mas nada era como antes, lavei e costurei, mas ela manchou e ficou com o remendo visível. Ela disse que estava tudo bem, mesmo assim eu sentia algo diferente entre nós.
Um tempo passou, eu não me perdoei, e não tenho certeza se ela fez o mesmo. Com suas novas meninas para brincar com ela, já não queria mais brincar comigo. Sempre que pedia para brincar de fotógrafo, se recusava, mas com suas novas meninas, fez até um álbum de fotos.
Eu tento entender, mas ela nunca mais falou comigo, então não tenho certeza se ela não quer mais brincar comigo, ou se ela acha que eu não quero mais brincar com ela. Eu tenho vergonha de chamar ela para brincar de novo, por quê eu não me perdoo, e não sei se ela também me perdoa.
Ganhei novas bonecas, estou insegura e me recuso a acreditar que queiram brincar comigo, mesmo me chamando para brincar, eu tenho medo.
As vezes eu choro com saudade de brincar, por que ela era minha única boneca, mas eu não era a única menina dela.
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